Supremo determina prisão do deputado Asdrúbal Bentes, do PMDB

Mariana Oliveira

O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou nesta quinta-feira (20) os últimos recursos apresentados pelo deputado federal Asdrúbal Bentes (PMDB-PA) e determinou a prisão do parlamentar.
Em 2011, Bentes tinha sido condenado pelo próprio Supremo a três anos, um mês e dez dias de prisão por esterilização cirúrgica irregular de mulheres. Na denúncia original do Ministério Público, o parlamentar era acusado de ter trocado votos por cirurgias de esterilização quando disputou a eleição para prefeito de Marabá (PA). Mas esse crime prescreveu porque, devido ao tempo transcorrido entre a denúncia e o julgamento, ele não poderia mais ser punido por essa acusação. Por isso, foi condenado somente por esterilização cirúrgica irregular, crime previsto na lei que trata do planejamento familiar. Em sua defesa, Bentes argumentou que não podia condenado por tal crime porque não é médico.
O deputado Asdrubal Bentes (PMDB-PA), em comissão da Câmara (Foto: Zeca Ribeiro/Ag.Câmara)O deputado Asdrubal Bentes (PMDB-PA), em
comissão da Câmara (Foto: Zeca Ribeiro/Ag.Câmara)
Nesta quinta, o Supremo considerou os recursos do deputado “protelatórios” e determinou o lançamento do nome do condenado no rol dos culpados e a expedição do mandado de prisão, aser cumprida pela Polícia Federal.
Depois disso, a Vara de Execuções Penais do Distrito Federal deverá ser comunicada para acompanhar o cumprimento da pena em regime aberto, em casa de albergado.
No site do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, a Vara de Execuções Penais (VEP) informa que “diante da inexistência de tal estabelecimento [casa de albergado], as penas são cumpridas na própria residência dos sentenciados, que devem obedecer as determinações judiciais, que incluem, entre outras: recolher-se às suas residências diariamente, a partir das 21h e apresentar-se bimestralmente”. Portanto, após ser preso, Asdrúbal Bendes deverá obter prisão domiciliar.
O deputado Asdrúbal Bentes foi condenado por esterilização ilegal de mulheres no interior do Pará, acusado de mandar fazer as cirurgias em troca de votos nas eleições municipais de 2004, quando Bentes concorreu à prefeitura de Marabá (PA). Na ocasião, a defesa do parlamentar negou as acusações e alegou que Bentes não poderia ser condenado por não ser médico.
Ao analisar os últimos recursos nesta quinta, o relator do processo, ministro Dias Toffoli, afirmou que o caso é “escabroso”. “Determino o imediato reconhecimento do trânsito em julgado independentemente da publicação, o lançamento do nome no rol dos culpados, a expedição do mandado de prisão.”
O tribunal entendeu que a Câmara deverá ser comunicada “para fins de deliberação para perda de mandato do deputado”.
Os ministros discutiram se deveriam tomar providências sobre a perda de mandato, mas entenderam que, conforme discutido no julgamento em 2011, a Câmara deveria apenas ser comunicada.
“Teremos a situação esdrúxula de ter um parlamentar condenado no exercício da função”, comentou o ministro Celso de Mello.

Joaquim Barbosa também criticou a situação: “São essas incongruências que emanaram do STF nos últimos dois anos.”
Fonte:G1

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