“Sofro preconceito diariamente”, diz mulher taxista há 12 anos em Cuiabá

Apenas 0,5% dos profissionais taxistas de Cuiabá e Várzea Grande, região metropolitana da capital, são do sexo feminino. O Sindicato dos Taxistas aponta que, dos 930 filiados, apenas cinco são do sexo feminino. E uma delas, Maria José Almeida, de 56 anos, conta que o preconceito ainda é muito presente, tanto por parte de homens quanto de mulheres que utilizam o serviço.
Mais conhecida como “Jô”, Maria José atua como taxista na capital há 12 anos e já passou por diversos episódios desagradáveis. “Diariamente eu vejo que algumas pessoas olham torto quando entram no carro e percebem que é uma mulher no volante. Uma vez, uma mulher abriu a porta e desistiu de ir quando me viu. Pegou um táxi que estava atrás”, relata.

Mineira e há 23 anos em Cuiabá, Jô diz ainda que, antes de ser taxista, já teve outras ocupações: trabalhou como motorista de ônibus, caminhoneira, cabeleireira e vendedora.
“Meu forte é o volante, sempre gostei de dirigir. Eu amo meu trabalho. Hoje, sou divorciada em razão da minha profissão. Meu ex-marido me falou para escolher entre ele ou ser taxista, e eu escolhi seguir minha profissão. E não me arrependo. Ninguém me dá o que meu trabalho dá. Eu amo o que faço”, enfatiza.
Em outro episódio, Jô conta que um menino de aproximadamente oito anos entrou no carro acompanhado de uma babá. “No meio do caminho, ele me perguntou se eu sabia dirigir. Não aguentei o desaforo, parei e pedi para que eles descessem. Não aguento isso de ninguém”, lembra a taxista. Ela também acredita ser difícil que as pessoas deixem de ter este tipo de preconceito.
“Já ouvi comentários de homens, mulheres, idosos, crianças, de todo mundo. Acho que vai ser sempre assim”, lamenta.
Fonte:G1

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