São João da Boa Vista perde 95% das escolas rurais nas últimas 4 décadas

São João da Boa Vista (SP) perdeu 95% das escolas rurais nas últimas quatro décadas, segundo dados da Prefeitura. Na década de 1970 eram 61 escolas e hoje são apenas três, principalmente devido ao êxodo rural, segundo pesquisadores.
A distância entre a zona rural e as escolas da cidade e a adaptação são alvos de reclamações de alunos que vivem em fazendas. A Prefeitura alega que a quantidade de estudantes não é suficiente a para manter novas escolas no campo.
Escola da cidade
O caseiro Aparecido Donizetti Fonseca leva todos os dias de manhã seus três filhos ate o ponto de ônibus, que fica a 3 quilômetros da sua casa. Para ele, uma escola perto de casa ajudaria muito. “É bem cansativo, com a escola seria mais fácil, eles não teriam que acordar tão cedo”, disse.
O ônibus demora 10 minutos no percurso até a escola, mas as crianças tomam café e esperam 40 minutos até as aulas começarem. “Demora muito e a gente tem que esperar aqui com muito sono”, disse a estudante Isadora Fonseca, de 11 anos.
A diretora da escola, Rosane Ferraz Gonçalves, reconhece que quem mora no campo tem mais dificuldades com o horário. Contudo, acredita que é melhor que eles estudem na cidade. “Até poderia ter [escola rural], mas teria que ser uma escola estruturada e equipada como a da cidade. Acesso à internet, computador, telefone”, disse.
Escolas rurais
A cidade mantém três escolas rurais, sendo que uma está fechada porque precisa de reformas. Uma delas, a do bairro do Macuco, fica na beira da rodovia e tem 130 alunos, de 3 a12 anos.
A estudante Ana Beatriz Sardelli está no 5º ano do ensino fundamental e explicou que adora o lugar. “Essa foi a minha primeira escola e nunca mudei. Gosto das lições e de brincar”, afirmou.
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Adaptação é desafio de alunos da fazenda em escolas da cidade em São João da Boa Vista (Foto: Oscar Herculano Jr/ EPTV)Adaptação é desafio de alunos da fazenda em
escolas da cidade (Foto: Oscar Herculano Jr/ EPTV)

Ela e a irmã de 4 anos moram em uma fazenda a 2 quilômetros da escola e vão de van todos os dias. Meia hora após o fim das aulas, a dona de casa Selama Sardeli espera as filhas. “Se a gente quiser ter algum contato com os professores é tudo mais fácil. Além de ser uma escola pequena, então a educação é muito boa”, explicou.
Os educadores alertam que ao deixar o campo, muitas crianças podem ter problema de adaptação. “Dificuldade de entrosamento. È uma escola que está fora da comunidade dela. Tudo é diferente, tudo é mais difícil”, explicou a diretora da escola rural, Elmiza Maria da Silva.
Êxodo rural
Carolina Moraes Gimenez, uma das professoras da escola, pesquisou durante dois anos sobre a redução das escolas rurais na cidade, para a conclusão do mestrado que fez na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Ela aponta o êxodo rural como um dos motivos. “Houve mudança na mão de obra, que antes era residente e ela passou a ser temporária, de boia fria. Isso acabou causando um êxodo rural maior do que já existia”, afirmou.
Prefeitura e lei
A diretora do Departamento de Ensino, Vera Lúcia de Oliveira Munhoz, explicou que é difícil para o município manter mais escolas rurais. “Não conseguimos formar a sala de aula, já que seguimos a legislação de demanda para dentro das salas. São, no mínimo, 15 crianças por sala. Nós poderíamos juntar as salas e fazer uma sala multisseriada, mas não acreditamos que isso traz qualidade para a educação”, disse.
Nesta sexta-feira (29), foi publicada no Diário Oficial da União uma lei que dificulta o fechamento de escolas rurais, indígenas e quilombolas. Agora a comunidade escolar deve ser ouvida e a Secretaria Estadual de Educação precisa justificar a necessidade de encerrar as atividades.
Um levantamento do Ministério da Educação (MEC) aponta que nos últimos cinco anos foram fechadas mais de 13 mil escolas no campo no país.
Fonte:G1

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