‘Queremos os culpados punidos’, diz viúva após acidente em porto no AP

Abinoan Santiago

Rosiane Quintela e a filha Paula Ribeiro ainda sentem a falta de Pedro Ribeiro (Foto: Abinoan Santiago/G1)Rosiane Quintela e a filha Paula Ribeiro ainda sentem a falta de Pedro Ribeiro (Foto: Abinoan Santiago/G1)
A pedagoga Rosiane Quintela, de 38 anos, e a filha Paula Quintela Ribeiro, de 14 anos, ainda tentam suprir a falta que Pedro Ribeiro faz em casa. Ele era funcionário da Anglo American e morreu aos 35 anos, em um acidente ocorrido em 28 de março de 2013, no porto da mineradora em Santana, a 17 quilômetros de Macapá. A tragédia deixou quatro pessoas mortas e duas continuam desaparecidas.
Ribeiro estava casado há 14 anos com Rosiane e foi o último a ser encontrado antes do término das buscas pelos desaparecidos. Além da jovem Paula, o matrimônio gerou mais uma filha, uma menina de 10 anos. Mas um ano após a tragédia, o sentimento de saudade se mistura com o de justiça. A viúva da vítima diz estar revoltada com a paralisação das investigações das causas do acidente. Para ela, os culpados pela tragédia devem ser punidos.
Pedro Ribeiro era funcionário da Anglo e morreu aos 35 anos (Foto: Abinoan Santiago/G1)Pedro Ribeiro era funcionário da Anglo e morreu
aos 35 anos (Foto: Abinoan Santiago/G1)
“Nosso pedido é que seja apresentado o laudo das causas do acidente porque queremos os culpados punidos. Essa vontade de ter uma resposta sobre o que ocorreu toma conta de todos os familiares das vítimas. Ninguém vai ser preso e nada vai acontecer? Quando lembramos da tragédia sentimos revolta, ira e raiva da empresa”, indignou-se Rosiane, que lembrou dos relatos do marido à empresa sobre tremores na estrutura do porto da mineradora.
O acidente ocorrido no porto, que à época era administrado pela Anglo American, provocou o desabamento de parte da estrutura portuária usada para exportar a produção mineral. Guindastes, caminhões e minério de ferro foram arrastados para o Rio Amazonas.
Acidente aconteceu na madrugada de 28 de março de 2013 (Foto: Jorge Júnior/Agência Amapá)Acidente aconteceu na madrugada de 28 de março de 2013 (Foto: Jorge Júnior/Agência Amapá)
O inquérito policial que investiga as causas e responsabilidades da tragédia continua em aberto e aguarda a entrega de um laudo da Polícia Técnico-Científica (Politec) sobre o que teria provocado o acidente para dar andamento na conclusão do documento, segundo informou o delegado José Neto, da 1ª Delegacia de Polícia Civil de Santana.
Condição semelhante também vive a dona de casa Ariane Brandão, de 28 anos, mesma idade em que o marido dela, o tradutor da Anglo, Eglisson Nazareno, morreu no acidente. Eles estavam recém-casados quando a tragédia aconteceu.
Ariane Brandão cria sozinha a filha de 2 anos após acidente que provocou a morte do marido (Foto: Abinoan Santiago/G1)Ariane Brandão cria sozinha a filha de 2 anos após
acidente que provocou a morte do marido
(Foto: Abinoan Santiago/G1)
“A nossa filha vai crescer sem o pai e isso me machuca bastante. Eu queria que houvesse punição aos culpados porque não pode ficar na situação como está atualmente, como se nada tivesse acontecido”, declarou a dona de casa, com a bebê de 2 anos no colo. A criança é única filha do casal, separado pela tragédia.
Saudade
As viúvas partilham dos mesmos sentimentos, entre eles, o de saudade. Ambas tentam supri nos filhos, a falta que cada marido deixou nos lares. Elas contam que as lembranças dos maridos surgem qualquer momento, até em gestos simples do dia-dia.
“A falta dele dificulta até em coisas simples, como colocar água no bebedouro. Era o Pedro que fazia isso e agora toda vez que fazemos isso, nos lembramos dele. Assim como cuidar do cachorro, que também sente bastante falta do dono”, contou Rosiane Quintela, viúva de Pedro Ribeiro.
“Toda vez que eu deito à noite na minha cama, sinto a falta dele. Ainda não me acostumei com a ausência do meu marido, tanto que fico em casa o dia todo para recordar os momentos que passamos juntos com a nossa filha, que era bastante próxima dele, tanto que quando ela aprendeu a falar, palavra mais repetida foi ‘papai’”, emocionou-se a dona de casa Ariane Brandão.
Seis trabalhadores foram vítimas do acidente; quatro morreram e dois continuam desaparecidos (Foto: Jorge Júnior/Agência Amapá)Seis trabalhadores foram vítimas do acidente; quatro morreram e dois continuam desaparecidos (Foto: Jorge Júnior/Agência Amapá)
Indenizações
As famílias confirmaram que a mineradora indenizou os parentes das vítimas. O valor pago pela empresa, no entanto, não foi divulgado por nenhuma delas por se tratar de sigilo contratual, segundo informaram.

A mineradora também teria se comprometido em arcar com os estudos dos filhos das vítimas até o ingresso deles no ensino superior, assim como apoio psicossocial durante alguns meses.
“Toda ajuda que a empresa possa ter dado, nada vai diminuir a saudade porque eu durmo sozinha com minhas filhas. Não abraço dinheiro, casa e nem carro”, comentou a viúva Rosiane Quintela.
Acidente
O desabamento no porto em Santana aconteceu na madrugada de 28 de março de 2013. À época, a estrutura pertencia à mineradora Anglo American. Caminhões, guindastes e minérios foram arrastados para dentro do rio Amazonas.
Seis pessoas que prestavam serviços para a mineradora foram vítimas do acidente. Quatro foram mortas e duas continuam desaparecidas. As buscas pelos trabalhadores encerraram dois meses e cinco dias depois do desabamento.
Após o acidente, a empresa anunciou em setembro de 2013 a venda das minas de ferro no Amapá por 136 milhões de dólares. A Zamin Ferrous comprou os ativos da empresa inglesa e ainda não concluiu as obras de recuperação da área portuária atingida.
Fonte:G1

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.