Presidente da Rússia completa anexação da Crimeia apesar de sanções do Ocidente

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, sancionou nesta sexta-feira as leis de anexação da Crimeia, que antes era território da Ucrânia, após a Câmara alta do Parlamento ter aprovado de forma unânime um tratado assinado pelo líder russo na terça para a integração da estratégica península à Federação Russa. Putin descreveu a incorporação da península à Rússia como um “evento notável”.

AP

Presidente da Rússia, Vladimir Putin, coordena reunião de membros do Conselho de Segurança no Kremlin, em Moscou
A Rússia apressou a anexação da península do Mar Negro depois de um referendo de domingo, em que os moradores locais apoiaram de forma avassaladora a secessão da Ucrânia e a integração à Rússia. A Ucrânia e o Ocidente rejeitaram a votação, realizada duas semanas depois de tropas russas terem tomado o controle da Crimeia. Os EUA e a União Europeia (UE) responderam às medidas com a imposição de sanções contra a Rússia.
Na quinta, o presidente dos EUA, Barack Obama, expandiu as sanções econômicas contra 20 indivíduos, incluindo Sergei Ivanov, chefe de gabinete e associado de longa data de Putin. Também foram alvo Arkady Rotenberg e Gennady Timchenko, ambos amigos antigos de Putin cujas companhias compilaram bilhões de dólares em contratos do governo. Além disso, as sanções têm como alvo o Banco Rossiya, instituição privada que pertence a Yuri Kovalchuk, que é considerado banqueiro de Putin.
As sanções americanas se seguiram a uma primeira rodada de penalidades econômicas dos EUA ordenadas no início desta semana contra 11 pessoas que Washington disse estarem envolvidas na disputa na Ucrânia. A Rússia enviou seus militares para a Península da Crimeia há três semanas e desde então formalmente anexou a importante região estratégica a suas fronteiras.

A UE, por sua vez,  anunciou na quinta sanções contra mais 12 pessoas vinculadas à anexação do território antes da Ucrânia, elevando para 33 o número de indivíduos enfrentando sanções do bloco europeu. Nesta sexta-feira, a UE assinou um acordo para estreitar as relações com a Ucrânia, em uma mostra de apoio depois da anexação da Crimeia pela Rússia.
O Acordo de Associação da UE tem o objetivo de dar apoio político e econômico à liderança interina da Ucrânia sob o comando do primeiro-ministro Arseniy Yatsenyuk.
Na quinta, a Rússia retaliou rapidamente as sanções dos EUA impondo proibições de entrada a legisladores americanos e a autoridades da Casa Branca. Entre elas estão o líder da maioria do Senado, o democrata Harry Reid, e o presidente da Câmara, o republicano John Boehner. O conselheiro-sênior de Obama, Dan Pfeiffer, e seu vice-conselheiro de segurança nacional, Ben Rhodes, também foram atingidos pelas proibições de entrada na Rússia.
Os EUA declararam a incursão russa na Crimeia uma violação da lei internacional e não reconhecem a anexação da península. Apesar disso, nos bastidores autoridades americanas reconhecem que é improvável que a Rússia abra mão da Crimeia. Em vez disso, sua principal prioridade é evitar que a Rússia entre em outras áreas da Ucrânia que têm populações pró-Rússia.
Funcionários disseram que os indivíduos que são alvo das sanções de quinta-feira terão bens congelados nos Estados Unidos, serão proibidos de fazer quaisquer negócios nos EUA e não terão permissão para fazer transações com dólares americanos.
As forças da Rússia efetivamente tomaram o controle de Crimeia depois da destituição do presidente pró-Rússia Viktor Yanukovych após meses de protestos e violência esporádica. A crise teve início no ano passado, depois que Yanukovych abriu mão de um acordo de associação com a UE para favorecer a promessa de um pacote de resgate russo no valor de US$ 15 bilhões. Isso enraiveceu ucranianos das região central e oeste da Ucrânia, que são pró-Europa.
Fonte:IG, APe BBC

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