Polícia apura suposta agressão racista contra africano na Serra do RS

Estêvão Pires


Após o árbitro Márcio Chagas ganhar repercussão nacional ao denunciar racismo na saída de um jogo de futebol, a Serra do Rio Grande do Sul voltou a ser palco de suspeitas de agressões de cunho racial. Nesta sexta-feira (14), a Polícia Civil informou que investiga o caso de um senegalês supostamente vítima de agressões físicas e verbais protagonizadas por dois adolescentes e um jovem de 18 anos, dentro de um ônibus, em Caxias do Sul.

Segundo a Departamento Estadual da Criança e do Adolescente (DECA), que também investiga o caso registrado no dia 8 deste mês, na ocasião, uma passageira e o filho dela, de 13 anos, tentaram intervir na confusão e também foram agredidos verbalmente. “Tudo começou quando o senegalês, que há alguns anos trabalha em Caxias do Sul, entrou no ônibus e os três passaram a proferir xingamentos e chacotas de forma indireta, inclusive por questões raciais”, explicou a titular do Deca em Caxias do Sul, Suely Rech.
A delegada diz que, em seguida, a mulher que interveio pediu que os gritos cessassem. “Nesse momento, os três partiram para cima do senegalês, que foi empurrado. Ele obviamente reagiu e passou a ser agredido fisicamente”, detalhou Suely. Conforme ela, as agressões só pararam quando o motorista interrompeu o deslocamento do ônibus. Na sequência, policiais militares abordaram e identificaram os três.
O trio já foi ouvido pela polícia. Segundo o DECA, apenas um deles admitiu ter praticado racismo e ainda afirmou estar arrependido. Já os outros dois amigos negaram as acusações do senegalês, da mulher e do filho dela.
A delegada ainda não confirma quais podem ser as punições para a dupla de adolescentes. Por ser maior de 18 anos, o terceiro vai responder um inquérito em outra delegacia. “O procedimento foi encaminhado ao Ministério Público especializado. Ainda depende da requisição da vítima e do garoto de 13 anos, que disse também ter sofrido agressões físicas. Mas o procedimento é baseado em provas testemunhais claras”, explicou Suely.

A Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul também acompanha o caso.
Fonte:G1

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