Montes-clarenses aprovam chegada de médicos cubanos à cidade

Valdivan Veloso

Dez médicos cubanos chegaram à Montes Claros, Norte de Minas Gerais, na noite dessa quinta-feira (13). Os profissionais foram levados à cidade pelo programa do Governo Federal “Mais Médicos”, e devem atuar na atenção básica em unidades da Estratégia de Saúde da Família (ESF) do município. 
Juliana procura atendimento para o filho pela terceira vez nesta semana. (Foto: Valdivan Veloso/G1)Juliana procura atendimento para o filho pela
terceira vez nesta semana.
(Foto: Valdivan Veloso/G1)
Os profissionais devem ajudar a amenizar o problema da falta de médicos na cidade, que tem sido alvo de constantes reclamações da população. É o caso da dona de casa Juliana Souza, que precisou ir até o ESF do bairro Conjunto Joaquim Costa pela terceira vez, em busca de atendimento para o filho de 3 anos.
“Geralmente chego aqui e recebo a informação de que não tem médico. Vim aqui na segunda-feira pela manhã e não tinha médico. Voltei a tarde e também não tinha, por isso estou voltando hoje. A falta de médico é constante aqui”, afirma.
A possiblidade de melhorias no atendimento com a chegada dos cubanos em Montes Claros, agradou os moradores, que afirmam não importar com a nacionalidade de quem irá prestar atendimento. “Eu quero é ser atendido. É muito chato chegar e não ser atendido. Independente de onde ele venha, nós precisamos é de médico”, afirma o pedreiro Alisson André Rocha.
Visão do CRM
Montes Claros tem três faculdades de medicina, onde se formam anualmente, em média, 250 novos médicos. Para o presidente do Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (SINEP/MG), que representa também as instituições de ensino superior, a chegada dos médicos cubanos deve ser elogiada, uma vez que se percebe a preocupação com a área da saúde por parte dos governantes, mas, segundo ele, é preciso fazer ressalvas quanto ao pagamento para médicos estrangeiros vindos pelo “Mais Médicos”.
“Porque não aproveitar os profissionais graduados na cidade remunerando-os com o mesmo valor que é destinado ao governo de Cuba. Acredito que o atendimento seria melhor porque se os médicos são do Norte de Minas, eles conhecem muito mais a realidade e o tipo de doenças que estão sujeitas aos nossos conterrâneos”, explica o presidente.
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Presidente adjunto do CRM afirma está preocupado com a inserção de médicos estrangeiros no país. (Foto: Valdivan Veloso/G1)Presidente adjunto do CRM afirma está
preocupado com a inserção de médicos
estrangeiros no país. (Foto: Valdivan Veloso/G1)

Segundo o delegado adjunto do Conselho Regional de Medicina (CRM), Fernando Emídio Vargas, o Conselho não foi informado oficialmente sobre a chegada dos médicos cubanos à cidade, mas o clima por parte do conselho é de preocupação.
“Quando formamos precisamos ter o nosso registro nos Conselhos de Medicina e as escolas estão registradas nestes conselhos. Então, tem de haver uma avaliação desde a formação, para prestarem uma boa assistência à população. Estes profissionais que vêm de fora também tem de passar pelas mesmas avaliações que passam os profissionais brasileiros”, diz o Vargas.
Os profissionais cubanos ainda não tem previsão de quando irão começar a prestar atendimentos à população, mas segundo o Ministério da Saúde, eles passaram por treinamento em Belo Horizonte e devem passar ainda por um processo de adaptação em Montes Claros.
Fonte:G1

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