‘Mando bem’, diz mecânica que atua há 18 anos no AC

Caio Fulgêncio

Mecânica Marlene trabalha em oficina há 18 anos (Foto: Caio Fulgêncio/ G1)Mecânica Marlene dos Santos trabalha em oficina há quase 20 anos (Foto: Caio Fulgêncio/ G1)
É entre pneus, peças de carros, motocicletas e com as mãos sujas de graxa que Marlene dos Santos, de 46 anos, atende a clientela da oficina que trabalha em Rio Branco, capital do Acre, onde mora há 28 anos. Natural de Anápolis (GO) ela é a única mulher mecânica entre os funcionários do estabelecimento.
Marlene atua como mecânica há 18 anos. Antes fazia salgados. O interesse pelo conserto de automóveis foi despertado pelo ofício do marido, Nilson Rodrigues, de 50 anos, que há quase 40 trabalha no ramo. Atualmente, os dois são colegas de trabalho.

“Eu sempre via meu marido trabalhando e eu mexia com salgado, mas sempre que terminava o que tinha que fazer, ia para a oficina ajudar ele. Eu fui pegando o gosto e aprendi mesmo. Na parte de alinhamento, balanceamento e suspensão, pode-se dizer que eu mando bem”, sorri.
Mãe de dois filhos, a mecânica estudou até a 8ª série do ensino fundamental. Abandou a escola por se casar muito cedo, aos 14 anos, e pela necessidade de ingressar no mercado. Trabalhou com lanches, fez curso de cabeleireiro, mas foi em meios às peças dos carros que passou a se sentir realizada.
“Eu sempre precisei trabalhar desde muito cedo, fazendo salgados, depois como mecânica, também fiz curso de cabeleireiro, até gosto, mas a minha paixão mesmo é a oficina. Eu gosto desse barulho e dessa correria do dia a dia daqui”, conta.
Marlene é mãe de dois filhos e trabalha junto com o marido na oficina (Foto: Caio Fulgêncio/ G1)Marlene é mãe de dois filhos e trabalha junto com o marido na oficina (Foto: Caio Fulgêncio/ G1)
Ao ser questionada sobre como é a rotina em um oficina de veículos, que normalmente é povoada por pessoas do gênero masculino, Marlene é direta ao dizer que acha muito natural, hoje em dia, mulheres entenderem de carro. Para ela, não importa o ambiente, onde a mulher quiser trabalhar, ela pode se destacar.
“Acho natural que as mulheres entendam de carro, porque nós somos muito curiosas. E na verdade, tudo o que a gente se propõe a fazer, a gente faz, independente de ser carro ou qualquer outra profissão. Eu, particularmente, acho um máximo. Sou muito realizada como esposa, mãe e profissional”, fala.
Com uma experiência de quase 40 anos de mecânica, o marido de Marlene, Nilson Rodrigues, garante que a presença da esposa na oficina garante um trabalho de muito mais qualidade, sobretudo por ela ser detalhista e cuidadosa.
“O trabalho da minha esposa é muito melhor do que de muito homem que já trabalhou comigo. Mulher é detalhista. O homem, às vezes, faz por cima e pensa que está bom, mas a mulher não. Ela com sensibilidade faz com detalhes, é prazeroso trabalhar com ela. Se Deus permitir, pretendo estar com ela por muitos anos”, acrescenta.
Fonte:G1

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.