Laudo nega penetração, mas polícia mantém inquérito de estupro a bebê

John Pacheco

Homem foi preso suspeito de abusar sexualmente enteado no Amapá (Foto: Dyepeson Martins/G1)Homem foi preso suspeito de abusar sexualmente de
enteado no Amapá (Foto: Dyepeson Martins/G1)
A Polícia Civil do Amapá recebeu na quinta-feira (20) o laudo oficial da Polícia Técnico-Científica (Politec) que descarta ter havido penetração no bebê de 1 ano e 2 meses que teria sido estuprado pelo padrasto José Nilson dos Santos Sena, de 18 anos, na noite do dia 7 de março, enquanto cuidava da criança na ausência da mãe, uma adolescente de 17 anos.
O suspeito, que foi preso no dia 12, contou que estava “possuído pela bebida” e não se lembrava do fato. A criança segue internada no Pronto Atendimento Infantil (PAI) de Macapá desde a prisão de José Nilson, com quadro de diarreia crônica e retenção de líquido.
De acordo com o delegado Daniel Mascarenhas, da Delegacia de Repressão aos Crimes Praticados Contra a Criança e Adolescente (Dercca), o inquérito seguirá a mesma linha de investigação, com suspeita de estupro.
“Antes mesmo do laudo oficial, já iniciamos a investigação baseados em testemunhas e na própria confissão do suspeito. Essa constatação [do laudo] não altera em nada o rumo do inquérito”, confirmou Mascarenhas.
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Odair Monteiro, diretor da Polícia Técnico-Científica (Politec) (Foto: John Pacheco/G1)Odair Monteiro, diretor da Polícia Técnico-Científica
do Amapá (Foto: John Pacheco/G1)

Laudo
Mesmo antes da divulgação do laudo oficial da Politec, o diretor do órgão, Odair Monteiro, havia dito que as lesões encontradas na criança, como inchaço no corpo, lesão no ânus e no abdome, poderiam caracterizar o estupro, mas também poderiam ser em função da diarreia crônica que a criança apresentava ao dar entrada no hospital.
“As lesões encontradas no corpo da criança são compatíveis com o avanço de uma diarreia crônica, mas qualquer ato libidinoso cometido contra um menor é considerado estupro. Se ele confessou o crime, cabe à Polícia Civil continuar com a investigação”, reforçou Monteiro.
O delegado Mascarenhas lembrou que a nova redação da lei de crime de estupro, alterada em 2009, prevê a “prática de atos libidinosos e abuso de vulnerável” como estupro, resultando em pena de 12 a 15 anos.
De acordo com Elza Nogueira, titular da Delegacia de Polícia Especializada (DTE), que auxilia nas investigações, a mãe do menino também poderá ser ouvida a respeito de maus tratos causados à criança, que podem ter agravado os ferimentos no bebê.
O caso
No dia 12 de março, José Nilson dos Santos Sena, de 18 anos, foi preso suspeito de abusar sexualmente do enteado de 1 ano e 2 meses. na delegacia, ele disse que estava “possuído pela bebida” na noite de sexta-feira (7) em uma casa localizada no bairro Perpétuo Socorro, Zona Leste de Macapá, onde morava com a mãe do menino, uma adolescente de 17 anos. “Eu fui possuído pela bebida, não sei o que aconteceu”, declarou.
Em depoimento, a mãe disse que encontrou a criança chorando e com marcas de sangue nas costas e na perna por volta de 21h do dia 7. Ela levou o filho para o hospital no dia seguinte. Os médicos suspeitaram do estupro, a alertaram, e ela garantiu que iria denunciar o companheiro. Contudo, a denúncia só foi realizada cinco dias depois do episódio, quando a jovem levou novamente o filho para receber atendimento médico.
A criança está internada desde então do Pronto Atendimento Infantil de Macapá.
Vítima levou pauladas na cabeça e chutes pelo corpo (Foto: Arquivo Pessoal)Suspeito levou pauladas na cabeça e chutes pelo
corpo (Foto: Arquivo Pessoal)
Agressão
Na tarde de 14 de março o suspeito do estupro deu entrada no Hospital de Emergências de Macapá (HE) após ser agredido dentro da cela onde está preso no Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen). A direção do hospital informou que José Nilson foi atendido com ferimentos na cabeça e pelo corpo, mas voltou ao presídio em seguida.

A agressão ao preso teria sido cometida por outros detentos na cela onde o suspeito está no Iapen. De acordo com Emerson Silva, coordenador de tratamento penal, o suspeito levou pauladas e chutes de outros presos, “mas os agentes conseguiram intervir e retiraram o suspeito de lá”.
Fonte:G1

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