Greve pode superlotar cadeia de Presidente Venceslau

O número de presos nas celas da cadeia da delegacia de Presidente Venceslau aumentou devido a dificuldade de realizar transferências durante a greve dos agentes penitenciários. Nesta quinta-feira (13), 35 detentos ocupavam a delegacia do município, quantia considerada alta e próxima da capacidade máxima, que é de 45 detentos.
A situação se agravou na terça-feira (11), quando sindicalistas em greve barraram a entrada e saída de caminhões e um ônibus com detentos que seriam tranferidos das penitenciárias de Martinópolis, onde 14 caminhões tentaram entrar, e Presidente Prudente, onde os servidores colocaram uma tubulação de concreto para impedir que um veículo com presos saísse.

 A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também enfrentou problemas. O órgão aponta que direitos fundamentais estão sendo desrespeitados por causa da greve. “A preocupação da OAB está relacionada às prerrogativas dos advogados, que vão encontrando dificuldades para ter acesso aos seus clientes dentro do sistema carcerário, já que não há facilidade dessa comunição junto com os agentes penitenciários. Há também uma preocupação muito grande com relação aos direitos fundamentais das pessoas que estão presas, porque eles têm direito de receber comunicações como alvarás de soltura”, afirma o presidente da OAB, Rodrigo Arteiro.
Segundo ele, o órgão não aponta culpados pela situação e por todos os transtornos. A entidade pretende ajudar no diálogo em busca de um acordo que possa por fim à greve. “A OAB se coloca a disposição no que for necessário para colaborar com a situação e entende que é fundamental o diálogo e a aproximação para que a crise seja solucionada o mais rápido possível”.
No entanto, a adesão à greve aumenta a cada dia. De acordo com informações do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Estado de São Paulo (Sindasp), 101, das 158 unidades do Estado se  uniram ao movimento. No Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) de Presidente Bernardes por exemplo, os agentes noturnos que seguiam trabalhando aderiram à paralisação.
Em Caiuá, cerca de 120 presos que deveriam ter dado entrada na unidade nos últimos quatro dias, não chegaram ao Centro de Detenção Provisória (CDP).
Agora, a greve deve atingir um momento delicado, devido às visitas aos presos, realizadas aos finais de semana. A diretoria do sindicato esperava liberar as visitações, no entanto, o posicionamento dos agentes é divergente.
Segundo Sindasp, o Governo tem pressionado a categoria. “O Estado passou uma proposta que não foi aceita pela categoria e eles orientaram os diretores a pegar os nomes de quem estava participando do movimento. Isso, ao invés de enfraquecer a classe,  fez com que mais agentes aderissem à paralisação. Se o Governo não conversar com a gente, as unidades não terão visitas no final de semana”, afirma o diretor do Sindasp, Alessandro Nunes.
Fonte:G1

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