Compositor Edino Krieger morre aos 94 anos e lega obra em que retratou a ‘Terra Brasilis’ em tons de vanguarda


Um dos mais expressivos nomes da música contemporânea, artista catarinense deixa temas aclamados como ‘Canticulum naturale’ e ‘Variações elementares’. ♪ OBITUÁRIO– A morte de Edino Krieger (17 de março de 1928 – 6 de dezembro de 2022) na noite de ontem, aos 94 anos, tira de cena um dos compositores mais expressivos da música contemporânea brasileira.
Maestro e compositor, entre outras profissões, o catarinense Krieger soube ir além das lições de música serial aprendidas com o professor alemão Hans-Joachim Koellreuter (1915 – 2005) – de quem foi aluno no Conservatório Brasileiro de Música do Rio de Janeiro em 1942 – para construir obra modernista que o pôs em pé de igualdade com compositores do porte do também maestro César Guerra-Peixe (1914 – 1993) e Claudio Santoro (1919 – 1989), com os quais integrou o grupo Música Viva.
Internado há um mês em clínica da cidade do Rio de Janeiro (RJ), Krieger morreu de causa não divulgada pela família. Foi no Rio, aliás, que Edino Krieger – nascido em Brusque (SC), município do estado de Santa Catarina – pavimentou trajetória que gerou obra tão vanguardista quanto nacionalista.
No tema Passacalha para Nazareth, por exemplo, o compositor já explicita no título a influência da obra de Ernesto Nazareth (1863 – 1934), pianista e compositor carioca que contribuiu decisivamente para a difusão do choro na formação da música brasileira.
Estudante de violino, instrumento aprendido na infância com o pai Aldo Krieger (1903 – 1972), Edino foi também diretor musical da Rádio MEC e crítico musical entre 1949 e 1952 antes de se dedicar primordialmente ao ofício de compositor entre estudos realizados fora do Brasil.
Nessa seara autoral, Edino Krieger criou temas como Concertante (1955, obra para piano e orquestra), Variações elementares (aclamada peça de 1965), Canticulum naturale (1972, uma das obras-primas do artista por emular os sons da natureza) e 3 imagens de Nova Friburgo (1988), Romance de Santa Cecília (1989) e Terra Brasilis (1999).
São peças que exemplificam a maestria de compositor que, ao ir além do serialismo a partir da década de 1950, construiu obra que ecoou influências de Johann Sebastian Bach (1685 –1750) e Heitor Villa-Lobos (1887 – 1959) sem deixar de imprimir a assinatura pessoal e intransferível desse compositor catarinense de obra nacionalista.

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