Após susto inicial, ‘Em Família’ ganha forma aos poucos

Há quase dois meses no ar, a trama de Em Família começa a dar os contornos e desenhar as histórias que vão pautar o folhetim de Manoel Carlos. Depois do susto inicial causado pela escalação dos personagens e suas idades que não batiam – ainda é difícil acreditar que Juliana, de Vanessa Gerbelli, possa ser 10 anos mais velha que Helena, de Julia Lemmertz – e das primeiras fases arrastadas, a novela, embora contemplativa, agora ganha traços mais fortes.

A terceira fase fez com que Em Família desse um enorme salto de qualidade. Os diálogos didáticos e quase explicativos, que forneciam enredo para ser desenrolado depois, deram espaço para que Manoel Carlos pudesse explorar o que ele sabe melhor, os conflitos familiares. Embora a narrativa deixe uma sensação de “déjà vu”, já que reúne temas tratados pelo autor anteriormente, a facilidade com que as relações interpessoais são desenvolvidas e a ausência de um vilão maniqueísta dão leveza à história e cativam os telespectadores. Com uma trama clássica, sem cair na mesmice ou no marasmo, Em Família vai, aos poucos, prendendo e conquistando o telespectador.

Embora seja um elenco de nomes fortes e poucos iniciantes, alguns atores merecem destaque. Giovanna Antonelli e Tainá Müller, intérpretes de Clara e Marina, dão doçura na medida exata para seu quase casal homoafetivo. Vivianne Pasmanter, mais uma vez, rouba a cena nas poucas que sua vilã Shirley aparece. Ácida e irônica, a personagem acaba sendo uma daquelas que o público ama odiar. Thiago Mendonça também tem sequências fortes como Felipe, irmão de Helena, um médico que ignora seus problemas com bebidas alcoólicas. O contraponto é Gabriel Braga Nunes. O ator não convence na pele de Laerte e parece sempre contrariado por estar gravando.

O bom desempenho dos atores também é fruto da direção cuidadosa de Jayme Monjardim e Leonardo Nogueira. Com muitas cenas externas, que contemplam as belezas cariocas, sobretudo o bairro do Leblon – que também é retratado no Projac, centro de produções dramatúrgicas da emissora –, Em Família explora bem o Rio de Janeiro e suas paisagens exuberantes. Os “takes” em estúdio dão um tom mais aconchegante e intimista que combinam com o clima familiar da novela.

Apesar da atuação convincente do elenco e da direção afinada, a audiência não acompanha o desempenho positivo da novela. Ao lado de Passione e Salve Jorge, Em Família já acumula o pior desempenho de uma novela das nove. Desde sua estreia, em 3 de fevereiro, o último folhetim de Manoel Carlos tem média de 31 pontos. No entanto, o desenrolar da trama, como o relacionamento de Marina e Clara, e a provável relação entre Luiza, de Bruna Marquezine, e Laerte ainda podem esquentar a novela.

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